Visão global e pessoal, sobre temas da actualidade Nacional.
publicado por João Ricardo Lopes | Domingo, 08 Novembro , 2009, 01:34

Há já algum tempo percorro mares revoltos e sinto no ar o cheiro forte da marisia. O mesmo cheiro que os ventos tempestuosos arrastam e espalham trazendo consigo tempestades horriveis.

Assisti hoje ao debate do programa do Governo. Vi um Primeiro Ministro que, apesar da perda da maioria absoluta, voltou ao seu estilo anterior de arrogância e prepotência. Mencionou várias vezes a pretensão do diálogo mas nunca deixou de lembrar que foi o PS ( José sócrates ) quem ganhou as eleições. Todos já o sabíamos desde 27 de Setembro último.

Portugal vive um momento muito delicado e, como já disse aqui mais de uma vez, não existe CORAGEM de admitir e reconhecer o problema. Não existe CORAGEM de explicar ao cidadãos aquilo que realmente se passa. Estão com medo do pânico? Que pânico pode ser maior que o de não ter Pão para os filhos, dinheiro para as contas, dívidas regularizadas e decorrendo dentro da normalidade dos prazos? 

Que Governo é este, mesmo sendo uma remodelação do anterior, que não consegue distinguir entre o bom nome e a dignidade e o pactuar com actos ilícitos e crimes económicos ou outros.

Que Governo é este, que não consegue dominar o seu próprio aparelho e fazer com que a despesa pública seja controlada e mesmo reduzida, sem ter que eleger sempre os mesmos "desgraçados" para que sejam estes a suportar o seu próprio esbanjamento?

Que Governo é este que não consegue acompanhar o desempenho das empresas a ele ligadas, permitindo que os gestores por si escolhidos se envolvam em casos político/económicos com um gral de gravidade tão grande, que envergonham o mais modesto Ser pensante?

Que Governo é este que teima em manter abertas feridas na sociedade ( professores, médicos, justiça e tantas outras) sem ter uma palavra que deixe que os Portugueses ao menos pensem que existe vontade em mudar alguma coisa?

Que Governo é este que sabe, em muito boa parte, como encaminhar os assuntos mas que, como fez durante 4 anos e meio, joga com os momentos é métodos que conduzam só e exclusivamente aos seu benefício eleitoral?

Cabe aqui também uma palavra para a oposição.

É provável que nalguns casos haja entendimentos, também eles com carácter de preparação e calendarização elitoral.

Bastou ver hoje o desempenho dos Partidos da oposição, quer da esquerda, quer da direita. A forma como voltaram a falar do mesmo modo  sobre os mesmos temas. Se nalguns casos PCP e BE, seria de esperar, já do lado do PSD e CDS deveria ter havido mais objectividade e acutilância. Objectividade no PSD, que é nesta altura um partido sem rumo e fracturado internamente; onde se nota claramente a falta de liderança ou a existência de uma liderança a prazo. Um PSD que tem uma Líder que, ao não ganhar as eleições, quis manter a sua posição para não perder a oportunidade, de no espaço mais mediático, combater o Engª Sócrates. Pessoa de quem assumidamente não gosta.

Acutilância no CDS, porque sabendo que directamente é arma para criação de maioria no parlamento, para fazer cumprir, eventuamlmente, uma legislatura. Acutilância para que as suas propostas possam ser finalmente implementadas e não continuarem a ser meramente figuras de retórica.

Aproximam-se grandes tempestades! Saibamos todos sem excepção, prepararmo-nos para elas.

João Ricardo Lopes - Abraveses/Viseu 


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