Visão global e pessoal, sobre temas da actualidade Nacional.
publicado por João Ricardo Lopes | Domingo, 23 Janeiro , 2011, 23:20

Termina agora mais um ciclo eleitoral.

Termina com  a vitória do ainda Presidente, Aníbal Cavaco Silva.

Não concordo em muitos pontos com a sua actuação. Não concordo agora, como não concordei no passado. Mas como costumo dizer, também houve coisas boas e essas, tem que ser reconhecidas e enaltecidas se for caso disso.

Já disse, noutros textos, que esta campanha apenas visou o ataque pessoal, as intrigas e a maledicência. Sei que estamos a falar de política e, em política, os jogos de e pelo poder, são a base das lutas, muitas vezes fratricidas. Mas não posso nesta hora em que reelegemos para um mandato de mais 5 anos, aquele que, tendo sido líder governativo durante 10 anos, foi e tem também, grandes responsabilidades naquilo em que Portugal se tornou. Esta responsabilidade existe. Não é exclusiva de Cavaco Silva, mas é dele que falo agora.

A velocidade vertiginosa com que fomos confrontados e que envolveu Portugal numa nuvem ainda mais tenebrosa e num manto de incertezas quanto ao desfecho futuro, viu em Cavaco Silva um Presidente inquieto, hesitante. Sem saber, muitas vezes, o que fazer. Contentando "gregos"  e "troianos". Cavaco Silva, soube, pelo menos, manter a postura posta durante todo o mandato e sabendo gerir o seu relacionamento com o Primeiro Ministro, José Sócrates.

Hoje, no discurso de vitória, não se inibiu de condenar a actuação dos seus adversários. Falou sabendo que outros não poderiam, pelo menos na noite de hoje, defender-se. Um discurso  sem comprometimentos sobre temas de grande importância nacional. Talvez  porque sabe que não tem meios directos de intervir na governação.

Disse, já hoje, em outro texto e noutro espaço, que começou hoje a campanha eleitoral para as legislativas que aí vêm. É inevitável. Direi mesmo, ser imperioso, a bem da clarificação de toda a situação. Seja ela política ou económica.

Uma palavra para a surpresa ( ou não) do resultado de Fernando Nobre, do fortíssimo escrutínio de José Manuel Coelho Na Madeira e do insignificante resultado  de Defensor Moura.Já o disse várias vezes. Foram candidatos, só isso. Sobressaiu o melhor deles.

Manuel Alegre, foi o fracasso total. Foi um sério aviso do Povo Português às forças no poder, aos governantes da Nação. Foi também o marcar (em meu entender) de uma estratégia errada. Quando há cerca de três ou quatro meses referi num texto/comentário, que era muito diferente a ordem da apresentação dos apoios a Manuel Alegre. Foi o Bloco de Esquerda  quem tomou a dianteira e comprometeu séria mente a escolha do Partido Socialista. Foi a estratégia de Manuel Alegre que, sendo apoiado pelo PS, deixou de ser o político interventor, que saía a terreiro contra as políticas do Governo. Deixou de ser o Manuel Alegre que reuniu forte apoio dos descontentes em 2006. Passou de "lobo" a "cordeiro". Encolheu-se, escondeu-se e fez um percurso eleitoral sozinho, sem apoios, sem máquinas partidárias visíveis. Numa palavra, foi traído. Primeiro por Ele próprio, em segundo pelos seus "camaradas".

Uma palavra para a VITÓRIA (53,37%) da Abstenção. Dá que pensar e é preciso reflectir sobre isso com muito atenção e cuidado.

Terminou hoje um ciclo. Daqui para a frente, nada será como antes. O futuro de Portugal antevê-se difícil. Amanhã, pela manhã, veremos o que se passará nos felinos e selvagens mercados financeiros. O que se dirá e, muito importante, nas próximas semanas, se a reeleição de Aníbal Cavaco Silva vai conseguir acalmar os mercados. Sinceramente, tenho dúvidas.


mais sobre mim
Janeiro 2011
D
S
T
Q
Q
S
S

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
22

24
25
27
28
29

30
31


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO