Visão global e pessoal, sobre temas da actualidade Nacional.
publicado por João Ricardo Lopes | Domingo, 16 Outubro , 2011, 15:24

Temos direito à indignação ou a estarmos indignados?

Esta será, certamente, a pergunta que todos terão presente na mente
Porque já o disse anteriormente, tentarei não me repetir em demasia.
É sabido, daqueles que mais atentamente seguem estes escritos, tanto a minha posição política, como as minhas posições face ao atual estado de coisas.
O protesto ontem, 15 de Outubro de 2011, ocorrido em várias capitais Europeias e cidades, entre Elas, Lisboa, acaba por não ser mais do que uma tentativa vâ vã efémera e, mal grado todas as tentativas, desprovidas de resultados práticos.
Sempre considerei que os atos violentos ou que a isso conduzam ou possam conduzir, pouco ou nada adiantem. Sempre considerei que, as greves e paralisações, embora direitos Constitucionalmente previstos e admitidos, pouco ou nada resolvem. Sempre considerei que, os Sindicatos, do modo como pretendem defender as classes trabalhadores, de pouco ou nada adiantam. Pouco ou nada resolvem...
Sempre, desde sempre considerei que a JUSTIÇA é a única e melhor forma de resolução de conflitos e o diálogo a sua principal arma.
O meu posicionamento no espectro político é esse. Recordo-o mais uma vez.
Ao CENTRO! Pela justiça, pela igualdade de oportunidades. Pelo direito igual e sem restrições, ao acesso aos bens e serviços mais básicos. Sem as mordomias e as concepções que alguns privilégios criaram e que, ao longo de anos, acumularam prejuízos imensos agora suportados por todos, e uma pequena, infama até, percentagem de privilegiados... mas que tudo têm, que tudo conseguem e que pouco ou nada contribuem para o bem estar comum.
Não caio para a esquerda ou para a direita apenas porque isso me convenha ou possa trazer benesses. Tão depressa aplaudo posições válidas e construtivas de um  ou de outro lado.
Porque eu, como muitos milhares, tenho que VIVER...e neste momento, apenas e mal, SOBREVIVO!
Voltando Às manifestações de ontem em Lisboa, e pelo que nos foi facultado via TV, devo dizer, mais uma vez, que não aceito o uso de forças excessivas por parte das autoridades, assim como não encontro razões para que os manifestantes extravasem o previsto, os seus protestos, a não ser, que grupos externos aos mesmos desencadeiem tais atos. Também não me parece que uma "ocupação" pacífica (se foi o caso) das escadarias da «Casa da Democracia» devesse originar atuação tão enérgica das forças policiais. Mas, como não sabemos nós os que vivem a muitos e ainda intermináveis quilómetros da capital, o que realmente se passou, fico por aqui nesta apreciação.
Não aceito que alguns,mesmo que poucos, queira fazer das escadarias do Parlamento, um "Parque de Campismo".
Não aceito e ponto final!
Mas posso entender o sentido geral da tanta indignação. Posso entender que muitos se sintam completamente defraudados e impotentes. Consigo entender que as palavras  e atitudes do atual PM sejam hoje vistas como um mar de contradições e incongruências. Que a sua impreparação para tão importante e controverso lugar, seja hoje mais do que evidente. Consigo entender e compreender que as muitas classes profissionais, mesmo as mais privilegiadas, possam hoje sentir-se vilipendiadas. Mas nada, nada pode justificar excessos ou incitamentos à desordem pública.
Luta-se, protesta-se hoje, contra as mais recentes medidas de austeridade. Contra o aumento a custo zero da carga horária, baseada no pressuposto que isso irá aumentar a produtividade; contra o fim (que se adivinha eterno) dos subsídios de Natal e Férias - embora sobre o assunto tenha uma opinião que pode chocar, por ora, com a da maioria - mas que irei apresentar em breve; contra o congelamento de pensões (sobretudo as mais baixas; contra a abertura mais que evidente da porta para a criação do IVA à taxa  máxima de 25 % (que é a maior permitida na UE); contra, numa palavra, a estagnação total e completa da economia nacional.
Referi há dias num comentário, perguntei mesmo, quantos se lembram do tempo em que eram pagos juros de 32% à imigração... de quantos, residentes, enriqueceram à custa do esquema tão simples que era pôr o seu dinheiro a render na conta de um familiar emigrante... tão fácil que era! Tantos foram os que saíram de uma aparente miséria? Condená-los...nada disso! Louvar a sua inteligência? Sim... a mesma que era tida como atrasada e desprovida de ambição. E porque não falarmos dos, então, regressados das colónias... Do IARNE, esse mal fado e pioneiro Instituto de Reincerssão, que mais não fez do que tentar apagar e colmatar as injustiças cometidas e gerar, ao tempo, uma onda de contestação nacional ? Pois é...já ninguém fala nisso, já não interessa, já não importa, muita gente, mesmo muita lucrou com isso... é passado!
Mas será que ainda se lembram dos anos em que isso ocorreu? Será que ainda se lembram que foi por essa altura, mais ou menos, que o FMI entrou nas nossa vidas pela primeira vez?...
A palavra CRISE, tem acompanhado a nossa existência desde sempre. E se Crise pode ser sinónimo de oportunidade, para aos que dela possa beneficiar, quantos são os que, dia após dia, têm de operar autênticos milagres na luta pela sobrevivência?
Eis que entra então em jogo, a outra face da moeda...

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