Visão global e pessoal, sobre temas da actualidade Nacional.
publicado por João Ricardo Lopes | Quarta-feira, 09 Novembro , 2011, 11:50

Sílvio Berlusconi anunciou que pedirá a demissão do cargo de primeiro ministro depois de ver aprovadas as medidas de austeridade impostas pela UE.


Berlusconi não resistiu aos quase 7% de juros cobrados. Coisa que em Portugal uns quantos ignoraram e o resultado é o que se sabe.

O PM Italiano, sofreu hoje uma grande humilhação no parlamento, ao ver chumbadas as contas de 2010 e a perda da maioria que detinha, tendo visto os seus próprios apoiantes virarem-lhe as costas.

Há muito que se fala de uma crise financeira interna naquele que é considerado como a 8ª economia do mundo. Há muito se sabe que, também por lá, os jogos  de poder, as contas mal feitas, a economia mal gerida. A Itália, tem uma dívida de 120% do PIB ( 2 biliões de euros), muito superior àquilo que Grécia, Portugal, Irlanda têm com dívidas soberanas. E, por ser a Itália uma das grandes potências da economia europeia ( 4º agora...já foi 3º) e mundial, o caso torna-se ainda mais preocupante.

Para quem siga ou tenha um pouco mais de interesse pelas questões económico/financeiras, fica claro que a queda da Itália irá, essa sim, criar uma enorme onda de pânico. O "regozijo" pelo anúncio de Sílvio Berlusconi verificado em Wall Street  não passa de um entusiasmo momentâneo. De género igual ao ocorrido por altura do anuncio das resoluções da última cimeira europeia.

A barreira psicológica dos 7%, fez cair , um a um, os governos dos chamados países periféricos. Nenhum resistiu...nenhum poderá resistir. Já hoje, este fato se verificou. O anúncio da demissão do PM Italiano, terá certamente dois caminhos: 1º - A sua saída poderá dar nova perspectiva de segurança aos mercados sobre o que possa ou não fazer um novo governo. O 2º - Recear a incerteza de cumprimento das medidas ora indicadas pela UE para serem postas em prática, e a consequente instabilidade e imprevisibilidade que uma consulta eleitoral possa trazer. A voracidade dos mercados ameaçou Espanha, que por artes mágicas deixou de ser falada e mesmo pressionada. Tomou providências? Soube agir? Zapatero teve a lucidez necessária para  anunciar eleições e afastar-se da política, mostrando com esse gesto um desapego ao poder e demonstrando aquilo que um político deve ser, ou seja, servir o país e não servir-se deles?

O mercado financeiro voltou-se agora para outro país do sul. Talvez que a ideia dos agentes financeiros seja essa. Desviar atenções. Concentrar olhares e estratégias, de modo a que os olhares vorazes dos mercados deixem ainda de fora do seu banquete países como França e Alemanha, onde já é notório algum desconforto e, quem sabe, alguma pressão financeira.

De uma coisa tenho quase certeza ( sendo a certeza uma miragem nos dias de hoje), não será a saída de cena de Sílvio Berlusconi que irá, por si só, resolver os problemas em Itália. Por muito controverso que seja ou tenha sido. Por muitos disparates e devaneios que cometa ou tenha cometido. Será apenas Berlusconi o único culpado?

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