Visão global e pessoal, sobre temas da actualidade Nacional.
publicado por João Ricardo Lopes | Domingo, 08 Janeiro , 2012, 23:02

Durante a última semana fomos bombardeados por duas notícias que, como é apanágio do nosso país, acabam sempre por cumprir a função principal... desviar-nos do que é essencial e deixar-nos enredados em trivialidades. Foi assim, mais uma vez, com os assuntos "Pingo Doce" e "Maçonaria".


Permitam-me dissertar um pouco sobre estes dois temas. Importantes e imprescindíveis para uns, sem um pingo de interesse para outros...interessantes, digo eu.
A decisão tomada pelos detentores de 56% da participação da Jerónimo Martins, através da sociedade familiar Soares dos Santos, em deslocalizar (fugir dirão alguns) os seus interesses para a Holanda, deixou de boca aberta muitos analistas financeiros que, admitam ou não, ficaram sem saber o que dizer. Não cabe aqui fazer um relatório pormenorizado da situação. Nem tão pouco saber se as palavras de Alexandre Soares dos Santos na entrevista que concedeu à SIC são ou não sinceras e verdadeiras. Acreditemos que sim...que eram boas as suas intenções. Mas como dar cobertura e proteção as recentes tomadas de posição de quem detém a maior parte da posição numa das empresas de maior projeção no país? Como entender que quem advogou, num passado não muito distante, que os centros de decisão deveriam permanecer em Portugal fossem qual fossem as consequências tome agora semelhante posição? Como entender quem tanto criticou e condenou políticas anteriores, esteja agora a dar uma estucada profunda na tentativa de reparação de erros passados?
É válido reconhecer que um empresário de sucesso queira manter em bom estado financeiro e orçamental a empresa que durante anos construiu. É válido reconhecer méritos a quem  cria postos de trabalho, apoia o bem estar social, e contribui para o engrandecimento de um país. Já não podemos dizer o mesmo de quem, apenas por interesses meramente contabilísticos, desvia, suprime a possibilidade de maior dinamização do erário público. É que sendo a Jerónimo Martins uma das empresas que mais factura, que gera enormes valores fiscais, fica difícil entender como pode o Governo passar por esta situação num aparente silêncio cúmplice. Se não estou errado no que aprendi, 10% de muito dinheiro é MUITO DINHEIRO! Esse, ao que sabemos, já não virá para Portugal. Lá diz o povo: « ...vão-se os anéis...». Será que os dedos que ficam ainda servirão para algo?

O outro assunto que nos foi IMPOSTO, foi o do alegado "apagão" por parte do PSD de todas as menções existentes à Maçonaria nos relatórios parlamentares ao "caso das secretas".
Muitos dos que lêem estes textos terão algum conhecimento sobre a actividade maçónica e da importância desta nas últimas décadas da vida política nacional. 
Sobre a Maçonaria e os seus "poderes" falarei noutra altura (dentro do meus parcos conhecimentos).
O que me apraz dizer nesta altura, é que o espectáculo protagonizado por Luís Montenegro ( líder parlamentar do PSD) ao dizer que não pertence a nenhuma loja maçónica, embora participe em reuniões. Que alegou desconhecer as referidas actividades e mesmo serem os jornalistas maiores conhecedores do que Ele próprio. E também por Carlos Zorrinho ( líder parlamentar do PS ), que auto-elogiou a transparência da sua vida. Ao que parece não é bem assim...
Transparência é coisa a que os nossos políticos estão pouco habituados. Interessam-se muito mais pelos jogos de bastidor e pelo constante entreter dos cidadãos.
Concluo com esta ideia: se no que se refere ao esforço comum, que todos devemos fazer para ajudar no reerguer de um Portugal depauperado económica e financeiramente, também entendo ( sempre entendi ) que os nossos políticos, aqueles que por escolha popular têm a missão de defender os interesses de quem os elege, devem dar exemplos de integridade, dignidade, transparência ... 

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