Visão global e pessoal, sobre temas da actualidade Nacional.
publicado por João Ricardo Lopes | Domingo, 22 Julho , 2012, 23:35

Na últimas duas semanas, foram vários os assuntos que mereceram maior destaque. Seguramente, que os incêndios que, mercê também da altas temperaturas, devastam o País e foram, os que mais atenção nos mereceram.

Sem cronologias, pois que estas acabam por ter um sentido perverso, tentarei recordar e comentar alguns pontos.
- Começo pelo debate do passado dia 11 sobre o estado da nação.
Poderia dizer que me espanta o pouco ou nenhum sentido de Estado dos nossos políticos, uma vez que sabendo como sabem o que de mal nos afeta e aflige, insistem em "prensetear-nos" com jogos semânticos de baixa qualidade, que fazem corar de vergonha muitos escritores lusos.
Até posso entender ( já o disse repetidamente), que a situação é grave e algo tem de ser feito. Mas será que do lado do Governo não poderia existir um pouco mais de sensibilidade? De sentido de justiça social? Dentro da maioria parlamentar que o suporta, não seria benéfico que os Senhores deputados, pusessem a nu e com clareza as suas dúvidas e inquietações, deixando de se apresentarem ao País como meros "serviçais e caixas repetidoras? E as oposições, se é que isso ainda existe por cá, não poderiam transformar as suas intervenções e atitudes, em algo de proveitoso? Não digo que tenham de, também Elas, renegarem os seus princípios...nada disso. Mas seria útil o trabalho em prol de objetivos comuns, deixando de parte os meros taticismos eleitorais e de conveniência.
- Outro assunto foi, a apresentação por parte da Troika, dos relatórios ( agora exaustivos ) da 4ª avaliação. A ser verdade, o que não creio, Portugal tem conseguido ( a que custo) cumprir o estabelecido e, qual aluno esforçado, estará em ponto de receber umas "prendinhas".
Mas, o contraditório dessa situação, que até nos poderia ( e quiçá deveria) trazer alguma alegria, vem a notícia de recomendações de "cortes", chame-mos-lhes, contenção, salarial. Não vejo, posso estar mal informado, onde seja possível cortar mais a quem já tem tão pouco!
- Fomos, e como fomos, MASSACRADOS pela notícia da formação "comprada" de um Ministro. Notícia essa, que tem tanto de vergonhosa como de patética. Vergonhosa, porque a "obscenidade legal" que conduziu todo o processo, esbarra nos sacrifícios que muitos tiveram de fazer para atingir patamares semelhantes. Patética, porque mesmo sendo assunto sério e devendo ser do conhecimento público, não deveria ter o tratamento mediático que teve. Que roçou mesmo a mediocridade.
Não será certamente caso virgem...não será de todo. Outros haverá que, por não terem como protagonistas figuras de topo da sociedade, passam invisíveis aos olhos e à curiosidade destruidora e mesmo doentia dos média. Isso sem falar no tal « caso das secretas » onde o Ministro fez tudo o que pôde, e erradamente, para sair incólume.Outros caíram por bem menos... E o outro assunto, não menos importante, o da alegada pressão sobre uma jornalista de um órgão de comunicação social. Incómodo, talvez, para as pretensões políticas do Ministro e do Governo. De um teor que é a todos os níveis inadmissível, pois que contraria o sentido de liberdade de expressão no qual Portugal dá cartas ao mundo. Caberá lembrar que a jornalista em causa acabou por pedir demissão...ou ter sido ( vou mais por aí ) convidada a fazê-lo. Tristemente, não teve retaguarda ou apoio da sua própria entidade patronal, que se vergou aos caprichos de um qualquer "senhor" a quem uma entidade supostamente reguladora, deu um vergonhosa cobertura.
Remato esses três temas, emitindo a minha convicção pessoal de que, o Ministro em causa, para além do muito e exagerado poder que tem, não terá dito o que realmente deveria dizer...ficam por isso muitos pontos na escuridão. Mas, como de Portugal se trata, os assuntos tendem a ir para às empoeiradas prateleiras do tempo. Lembram-se por ventura o que conduziu à saída de sena de um destacado membro do PS há já alguns anos? E que essa figura, ao tempo tão criticada, é hoje tida com dos mais importantes comentadores políticos da nossa praça?
- Como não quero tornar-me maçador, vou apenas referir mais um «caso». O tão conhecido e famigerado     « FREEPORT».
Entenderam ( por ventura bem...não sou jurista) conceder a absolvição aos dois arguidos do processo, com o pronunciamento de que as provas apresentadas não foram conclusivas. Deixaram no entanto a porta aberta à continuidade, ou reabertura, de um processo de averiguações sobre os alegados "pagamentos" recebidos pelo então Ministro do Ambiente, José Sócrates, no sentido de facilitar a abertura do empreendimento.
O meu comentário, que vale o que vale, é que mais uma vez a nossa justiça fez um alarido desnecessário e perigoso. Fomentou, como em tantos outros casos, o julgamento na praça pública. Criou expetativas elevadas sobre uma suposta implementação de moralidade, mas deixou-se enredar em jogos e pressões por parte do poder do qual se deveria manter livre e independente. Como é habitual nesses casos, o que não deveria ser, teve um grande apoio dos média e da classe politica. Uns porque lhes serve de impulso comercial, outros por simples tática...porque convém...porque tem de ser para parecerem fortes. Nunca, em momento algum, pugnando pela elevação dos valores éticos e morais com verdade e sentimento.
Diz o povo, que o tempo tudo apaga. Em boa medida é verdade. Dizem os do povo, que tudo o que está envolto nesse mediatismo atroz a nada conduz, que "Eles" é que o ganham, são sempre os que saem por cima... E esse mesmo Povo, o tal dos brandos costumes, remete-se ao silêncio de um qualquer canto submetido às indiferenças e contrariedades de uma vida de sofrimentos e alegrias...de vitórias e derrotas. Esse mesmo Povo, o tal dos brandos costumes, tem a esperança e sabe que terá de novo, a duras penas é certo, o direito a uma vida digna ...a uma vida normal!

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