Visão global e pessoal, sobre temas da actualidade Nacional.
publicado por João Ricardo Lopes | Domingo, 04 Novembro , 2012, 22:27

 


Dissertações- XL - Palavras que se dizem...

1. refundar - Conjugar(re- + fundar) v. tr.1. Tornar mais fundo. = AFUNDAR, APROFUNDAR, PROFUNDAR
2. Tornar a criar, a estabelecer algo; fundar novamente.
Foi esta a palavra que Pedro Passos Coelho utilizou no final das jornadas parlamentares conjuntas de PSD e CDS e que tanta celeuma gerou.
Muitas poderão ser as interpretações. Muitas as ideias  e conclusões tiradas com a intenção de descobrir aquilo que vai na cabeça do Primeiro Ministro.Numa primeira análise, não me parece aceitável atribuir às palavras de Passos Coelho intenção de destruir o que quer que seja, nem promover uma encapotada revisão constitucional. É certo que este Governo tem atuado de forma atabalhoada. Com constantes avanços e recuos em medidas que mais não são do que ataques constantes  É certo que foi muito, mas mesmo muito, para além daquilo que eram as premissas do memorando negociado pelo governo PS de José Sócrates e subscrito por PSD e CDS. Muitas têm sido as decisões que vão para além disso, aquelas que, a meu ver, mais desespero têm trazido à sociedade. Mais prejudiciais do que abrido caminhos imediatos para a resolução dos graves problemas nacionais e, muito pior do que isso, os desesperantes problemas individuais.
Quando um partido, ou coligação de partidos, recebe das mãos do Povo a responsabilidade de formar governo e, consequentemente, gerir em proveito de todos os destinos de um país, é-lhe dado, outra coisa não se entenderia, o benefício da dúvida.Aquilo que se convencionou chamar « estado de graça ». Este governo não foi por isso excessão.
Portugal saia de mais de 6 anos de desastrosa governação. A situação económica e financeira tornou-se insustentável e conduziu, depois de muita relutância, a um pedido de ajuda financeira internacional.  A « TROIKA » , designação dada ao conjunto de entidades que disponibilizaram e gerem a ajuda, Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, negociaram com o então Governo de José Sócrates os termos da ajuda.Termos que foram, também, subscritos pelos partidos, então na oposição - PSD e CDS -, e que são hoje governo.
É sabido, por isso desnecessário, repetir o que foram as promessas feitas durante a campanha eleitoral... apenas isso...PROMESSAS!
É sabido, e por isso ainda mais revoltante, a forma como afirmaram - leia-se Pedro Passos Coelho -  nunca utilizar a pesada herança recebida, como desculpa ou forma de justificar atuações futuras...MENTIRA!
É sabido, e por isso ainda mais ultrajante, as afirmações que o hoje Primeiro Ministro fez sobre  não aumento de impostos ou a "inviolabilidade" dos vencimentos dos portugueses... MENTIRA!
Que as políticas utilizadas não surtiram efeitos não é novidade. dirão alguns, nem mesmo surpresa.
O Governo, dá agora sinais, embora veladamente, de admissão do falhanço das suas políticas. Fossem elas, até, bem intencionadas, não resultaram. Portugal está, como se diz em gíria popular, NAS LONAS! O dinheiro escasseia nas instituições, sejam elas da administração pública ou particulares. A economia está estagnada. A população está sem poder de compra e, mesmo a pequena franja que ainda pode alguma coisa, dá sinais de estará rebentar por dentro!
Este Governo, com o seu PM à cabeça, está corroído pela insensibilidade que O cega. Pela única "coisa" que o preocupa... CUMPRIR AS METAS DO DÉFICE!
Esquece este Governo, que existem pessoas, muitas, para além das 12 ou 13 que compõem o núcleo principal... Que Eles próprios, são pessoas, cidadãos com família, objetivos, sonhos... Não se pode pedir nem tirar mais a quem  já quase nada tem!
Não creio, não quero crer, que a ideia de REFUNDAÇÃO tenha por base eliminar direitos adquiridos com luta e sacrifício. Não creio, não quero crer, porque entendo que estes mesmos direitos já estão mais do que depauperados. Pergunto mesmo, se não será o caso de já só existirem no papel? Sabendo-se, como sabemos, que esse mesmo " PAPEL", tem sido LETRA MORTA e CONSTANTEMENTE AGREDIDO.
Falar em « REFUNDAÇÃO », mantendo o atual estado de coisas, é por si só um contra-senso . Aqui sim, é preciso ir muito mais além!
Urge rever todo o processo. Começando, claro está, pela base. pelo " PAPEL" que atrás referi. Alterar de forma substancial a Constituição da República, retirando-lhe toda a carga, ainda ideológica que possa ter e, muito importante, todos os pontos ( artigos ) que são autênticos entraves ao desenvolvimento.
É preciso rever o modo como é atribuído o "poder" aos políticos. A forma como são eleitos... a responsabilização individual e coletiva que daí resulta, estendendo-a a todos os atos de governação.
Que sejam criados meios de incentivo à criação de empregos e empresas. Revitalizar a produção agrícola e industrial, o consumo interno, as obras públicas e a exportação. Dignificar o ensino, a saúde, a cultura. Garantir  a segurança do País e dos cidadãos, dotando as suas forças armadas e policiais, de meios eficazes e dignos. Promover e acentuar o recurso às novas tecnologias que são hoje, inegavelmente, uma forte componente da vida económica no país.
« REFUNDAR », tem que significar, e muito, desenvolver...gerar...criar...compreender..aceitar...ouvir...admitir... 
« REFUNDAR », passa, e passará sempre, pela medida mais simples eficaz que um Governo, qualquer que seja, pode aplicar: FALAR VERDADE!
Se assim acontecer, aceito de bom grado o conceito...aceitaremos todos!
João Ricardo Lopes

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